Blog do BALESTRA


Auschwitz maringaense

Deprimente a foto distribuída à imprensa pela Secretaria de Comunicação do governo do Paraná, e que vi na folha interna do jornal local "O Diário do Norte do Paraná" do dia 09, mostrando gado à espera de um tiro. De profundo mau gosto, a imagem é de uma insensibilidade singular. Retrata não a informação, mas escancara uma forma de violência humana: a agonia do animal que, curvando o corpo e abaixando a cabeça, espera indefeso, apavorado, a bala que lhe virá da arma do atirador postado na cerca.

O triste ato é testemunhado por um segundo animal, também amedrontado pelo soar dos tiros dados até aquele instante, rodeado por outros que a poucos minutos atrás lhe eram companhia agradável pelas pastagens, e agora jazem varados por esses tiros, em meia à lama ensangüentada do curral. Pelo visto, Auschwitz também pode ser maringaense. Não houve nenhuma preocupação em humanizar o duvidoso abate. Os homens não se emendam mesmo quanto às injustiças!

No direito dos homens e mulheres o instituto da dúvida beneficia os réus; é o princípio in dubio pro reu. Todavia, esses mesmos homens e mulheres transgridem essa regra, sem qualquer dúvida nem compaixão, quando os "réus" são os animais, esquecendo que estes também têm sentimentos e sofrem com a dor, seja física ou não.

Se alguém tem dúvidas disso, que presencie o desespero de uma vaca que se separa do filhote em meio a uma grande manada. Ela berra incansavelmente à procura de sua cria perdida na movimentação, que responde ao chamado materno. Quando a encontra, a vaca a lambe com o maior carinho do mundo... Só não se enternece com essa cena quem, como esses tecnocratas do Ministério da Agricultura, nunca viu o parto de uma vaca... e quiçá um frango ciscar; só o conhecem embalado em supermercado.

Exemplos há aos borbotões de que a natureza, pela Força Maior que a rege, sempre se vinga das agressões dos homens quando interferida em sua harmonia univérsica, da qual todos somos partes.

Em tempo de tantos avanços tecnológicos, carabina para abater animais é um atentado à inteligência; o abate transmudou-se em massacre! Qualquer pessoa sensata, sem ser perita, sabe que o tiro nunca mata imediatamente, mas sim provoca grande dor e agonia por minutos que, à vítima, parecem horas. Ou aquelas criaturas não deram os berros do desespero? Aliás, desafio um técnico a mostrar-me que nos frigoríficos o gado é abatido a tiros. Tanto é verdade a agonia que, nesse Auschwitz de animais sem culpa nem doença, muitas vezes foi necessário o segundo tiro, de misericórdia. E nenhum Greenpeace apareceu...

Em menino, presenciei estupefato, em Paranavaí, à queima de milhares de sacas de café, tão-só por motivos econômicos. Já adulto, assisti à desforra da natureza àquela triste iniciativa soberbamente capitalista: a geada do dia 18.07.1975 fez o mesmo homem destruidor de café ficar com saudade dos armazéns outrora abarrotados de produto barato, sem preço. Naquela noite fiz plantão na Copel em Mamborê.

A gritante injustiça da morte de belos animais por conta de uma duvidosa aftosa – apenas suspeitada pelo "laboratório político" de um governo federal administrativamente sem rumo, de tanto esconder-se dos efeitos dos valeriodutos, dos correiodutos, etc. etc. – também terá sua vindita pela mesma Força univérsica que rege animais, racionais ou não. É esperar para ver. O eco dos berros de desespero dos animais frente à morte ressoará na mente e ouvidos daqueles que presenciaram a insana matança, sem a humanizar.

A crise dos tais focos de aftosa – muitos não provados pelo único laboratório específico do governo, "estrategicamente" situado em Belém...¿ – é uma prova de que, na prevenção/fiscalização da doença, o Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, sucumbiu irresponsavelmente à força política de Pallocci, que tudo faz para que agora o chefe retirante rouco saia por aí inaugurando pilar de ponte em caatinga para tentar a reeleição. José Roberto Balestra – advogado em Maringá jrobertobalestra@uol.com.br



Escrito por José Roberto Balestra às 00h36
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2006, O ANO DO CACHORRO. Viva BILLY e BOB!

Vi numas revistas que, no horóscopo chinês, 2006 é o ano do cachorro. O ano em que colheremos o que plantamos antes. Fiquei feliz com isso. Lembrei logo do Billy e do Bob, meus amigos rottweillers, uns senhores cachorros. Senhores, não porque são fortes, imponentes, e de pêlos brilhantes, mas porque nunca me decepcionaram nestes mais de sete anos que estamos juntos. Ao contrário, só me deram satisfação e contrariaram a toda prova os desinformados que, aos quatro cantos, vivem falando mal da raça deles. Meus amigos caninos cuidam do espaço deles como ninguém, mas também brincam com crianças, cumprimentam as pessoas quando estão comigo, deitam, "morrem", e fazem de tudo para me deixar feliz. Como todo amigo, às vezes são até meio chatos, principalmente quando sento na varanda para ler um livro; disputam os centímetros para ficarem mais perto de minhas pernas. Se descuido um pouco, Billy, o mais enxerido, enfia a cabeçona por baixo de minha mão, tirando-a da página, desconcentrando-me a pedir um cafuné. Satisfação inesquecível me deram certo dia quando a veterinária que lhes cuida, uma nissei bem pequenina de estatura, mas gigante na competência, me disse que depois deles nunca mais teve medo de lidar com rottweillers. Naquele momento senti-me como um mestre diante de seus pupilos; puro orgulho pelo objetivo alcançado. Afinal, os animais são a prova maior, desinteressada, de que ninguém resiste ao amor. A amizade sincera entre eu, o Billy e o Bob, me autoriza neste ano a adotar aquela cara de brabo que eles têm. Aprendemos reciprocamente que "quem é amigo do rei tem os melhores cavalos... (e as mais lindas mulheres)". Eu os amo e eles me amam, e pronto. De fato eles me ensinaram que é preciso fazer cara de brabo para a vida, senão a gente é engolido como um pobre pardal na boca do leão. Nem mastiga. Ano passado sofri muito, mas aprendi. Quando a gente está lá em cima, sempre aparece alguma águia para nos arrancar uma pena vital que desafina nosso vôo; quando a gente está lá embaixo, bem no fundo, ainda têm os terríveis tubarões das águas escuras e profundas que querem comer a última carninha de nossa costela. Mas nem por isso esqueci que um amigo de verdade, com nome de santo, no ano passado sempre manteve-me uma mão estendida nas águas turbulentas. Por tudo isso não posso mesmo deixar de pegar uma carona nos fluidos deste ano canino e colher o que plantei.



Escrito por José Roberto Balestra às 01h14
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Estou iniciando hoje, este meu blog. Bem no dia da Justiça, com todos os órgãos públicos do Judiciário parados! Que tristeza. Chega de tantas convenções tolas, tantos feriados e "pontos facultativos" (outra dissimulação) que não levam a nada e só causam prejuízo às pessoas, ao País. Somos um país de pobres que fica arrotando peru perante a comunidade internacional, enquanto na verdade estamos por aqui comendo frango (enquanto a gripe aviária não chega no nosso terreiro)... 



Escrito por José Roberto Balestra às 14h41
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